Confesso que por inúmeras vezes quis ir por outro caminho, tentei até levar uma vida conforme os preceitos que todos queriam que eu levasse. Tentei sentar na Igreja e me sentir tão devota quanto eu me sentia descalça no chão do terreiro. Eu me esforçava todos os dias para ir contra as batidas do tambor que existia no meu peito, contrariando meus instintos de acordar e conversar com uma tropa do além, espíritos protetores que eu acreditava que estavam lá, e eu sabia que me ouviam.Mudei meu vocabulário, e até ingenuamente direcionei meus sonhos para que não houvesse qualquer um que me tirasse desse plano, até porque, eu tinha que acreditar que não havia outro plano.
Mas nunca fui tão sensata e sincera comigo mesma: Eu não consigo.
Eu quero acordar todos os dias e agradecer ao Pai Olorum pelo sol que nasceu naquela manhã, e que além de lindo, era uma dádiva danada eu poder presenciar aquilo. Eu queria continuar com a minha insistência em ter respeito por todos os lugares sagrados e não conseguir pisar no mar, cemitério, mata, pedreiras, cachoeiras, rios, lagos e entre outros, e ajoelhar-me pedindo permissão para adentrar naquele lugar divino. Eu quero permanecer assim, com a minha rotina cansada do trabalho e tarefas durante a semana e ainda cansada ter tempo para estudar a minha fé, de sentar por um pequeno espaço de tempo e fazer o Evangelho Segundo o Espiritismo na companhia de milhares de entidades e desencarnados. Eu fiz a minha escolha, e destaco que não era a mais fácil. Mas eu já sabia que nada seria fácil, desde as minhas escolhas até a caminhada.
Como diz o meu Guardião, eu fui feita das ondas mais bravas e turbulentas do mar, a calmaria que ele tinha, não me pertencia.Portanto, hoje carrego dentro de mim, sem renuncias ou receios, um batalhão de pontos de luz. Cada um com a sua importância singular no meu dia, na minha encarnação.Se tem uma frase que eu escuto sempre do meu Guardião é: “Estaremos juntos nas infinitas e fracassadas vidas, mas juntos.”.
E hoje eu que digo, infinitamente, em quantas vidas forem necessárias, mas eu quero escolher esse caminho em todas elas se me for permitido, porque hoje, nessa minha ínfima passagem terrena, eu não sei o que seria de mim sem os meus amigos espirituais, entidades companheiras e minha amada Umbanda.
Ana Carolina Simi Lopes
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