![]() |
| "Reportagem do dia 16/05/2011 no jornal Dia a Dia" |
Reportagem:
Pai-de-santo mais famoso de Bauru, Ricardo Barreira promove cultos no meio da natureza em área verde para aproximar a religião ainda mais da sustentabilidade.
Umbandista desde os 17 anos, Ricardo Barreira
mostra a árvore símbolo do axé localizada no campo dos baianos, um dos espaços
dedicados aos cultos às entidades. No templo, um dos objetivos é a preservação
da natureza.
O ditado é bem antigo, é verdade, mas faz mais
sentido do que nunca: “Nós colhemos o que plantamos”.
É a ele que o pai-de-santo Ricardo Barreira
recorre para apresentar um dos espaços da Aldeia Tupiniquim, o campo dos
baianos, preparado para o plantio agrícola.
O local é destinado à gira (culto) dos baianos,
entidade da umbanda caracterizada pela bravura aliada à irreverência nordestina.
Ali está a bela figueira branca, árvore símbolo da força, do axé. Ali fica a
pequena roça que justifica o ditado escolhido.
“Aqui vamos plantar, colher e comer”, avisa
Ricardo.
Babalorixá da Aldeia Tupiniquim, uma associação
religiosa, beneficente e cultural, Ricardo realiza um sonho antigo ao usar parte
da área de 22 mil metros quadrados, numa chácara localizada à beira da estrada
que liga Piratininga à Rodovia Bauru-Marília, para os cultos e festas da
umbanda.
“É nosso santuário, nosso paraíso”, define.
“Para nós, o templo religioso é a natureza.”
E é um resgate. A umbanda é uma religião
ecológica, que reverencia as energias da natureza. Na vida urbana, no entanto, o
mais comum são os templos localizados dentro das cidades.
Em Bauru, a Aldeia Tupiniquim, instalada no
Vale dos Orixás desde setembro de 2010, faz o caminho contrário.
O Vale dos Orixás existe há dez anos, mas
até agora era pouco aproveitado. A área pertence à Federação Estadual de Umbanda
e Candomblé, presidida por Ricardo. É aberta a todos os templos.
O local abriga sete campos sagrados, destinados
às giras das entidades. O projeto prevê a implantação de vários campos, com a
determinação de que modifiquem o menos possível a natureza.
“Com o tempo, criaremos um processo de
sustentabilidade”, informa o líder.
![]() |
| Capa do Jornal Bom dia dando destaque para a Umbanda |
Natureza, religião e filosofia. É isso que o
pai de santo une no enorme espaço cheio de árvores e cantos de
pássaros.
“É o encontro do homem com ele mesmo, já que
ele também é natureza”, defende. “E a religião tem que tornar a pessoa melhor,
promover a transformação. Não adianta só ficar bonitinho com a roupa
branca.”
Combater o preconceito virou missão
Há uma explicação simples para Ricardo Barreira
ser o pai-de-santo que mais aparece em Bauru: ele
toma como sua a missão de divulgar a umbanda e de atuar no combate aos
preconceitos que ainda atingem a prática religiosa.
Isso começou quando ele tinha 17 anos e
precisou enfrentar a resistência familiar diante de sua opção. Na época, ficou
espantado com a forma distorcida como a umbanda era vista.“Eu me perguntava: como podem pensar isso de uma religião tão linda e tão comprometida com o bem e a caridade?”
Hoje, acredita que a discriminação diminuiu, apesar de ainda existir e justificar o comportamento discreto, quase recluso, de muitos pais-de-santo.
O BOM DIA, por exemplo, tentou ouvir um dos mais antigos pais-de-santo da cidade, mas ele preferiu não dar entrevistas, apesar de abrir seu templo para visitas.
“Do mal a umbanda não tem nada”, costuma defender Ricardo. “O foco é ajudar a humanidade a evoluir.”
Opinião do Blog:
Gostei da reportagem e ao meu ver estão certos em preservar aquilo que nosso Pai Oxalá nos deu de presente com tanto carinho. E precisamos também pensar que aqueles que não sabem o que são oferendas, para que e para quem são, acabam vendo com maus olhos, e acho que é o que menos precisamos, mais pessoas julgando antes de conhecer nossa doutrina e nossos rituais. Nossa crença. Sendo assim, acho que as oferendas e entregas deviam ser feitas com mais cuidado e um carinho especial, não esquecendo que o lugar onde deixamos as entregas, é o mesmo onde pessoas convivem e animais moram por lá. Tem que haver o respeito da nossa parte para com todos aqueles que não pertencem ao nosso mundo de axé, nosso mundo de paz. Portanto entendo ter que haver respeito de todos os lados, e não acho que os nossos guias espirituais ou os orixás vão recusar nossas oferendas se feitas com um cuidado maior, respeitando a natureza. Pelo contrário, acho que entenderão com toda a sabedoria que sabemos que eles possuem. Pois falhos somos nós, que achamos que precisamos de muito para a nossa fé. A nossa fé precisa de pouco, muitas vezes quase nada, eles sentem de longe a nossa fé, nosso fervor em clamar por ajuda ou em agradecimento a eles.
Então pessoal, vamos tentar preservar aquilo que é tão precioso para nós Umbandistas: A Natureza. Prestaremos mais atenção aos materiais que será usado nas oferendas, pratos ou entregas. Não vamos acender velas perto de mato, para que não haja o risco de algum acidente. E se possível, vamos sempre depois dos dias necessários para o ritual que tenha sido feito, recolher ou até colocar em algum lugar que possa ser levado da forma correta por aqueles que limpam a nossa cidade, a nossa bagunça, nossos lixos todos os dias, e devemos ser gratos por isso.
Vamos preservar?
Umbanda pode e deve ser ecológica.
Então pessoal, vamos tentar preservar aquilo que é tão precioso para nós Umbandistas: A Natureza. Prestaremos mais atenção aos materiais que será usado nas oferendas, pratos ou entregas. Não vamos acender velas perto de mato, para que não haja o risco de algum acidente. E se possível, vamos sempre depois dos dias necessários para o ritual que tenha sido feito, recolher ou até colocar em algum lugar que possa ser levado da forma correta por aqueles que limpam a nossa cidade, a nossa bagunça, nossos lixos todos os dias, e devemos ser gratos por isso.
Vamos preservar?
Umbanda pode e deve ser ecológica.


Nenhum comentário:
Postar um comentário