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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Umbanda Ecológica

"Reportagem do dia 16/05/2011 no jornal Dia a Dia"

Reportagem:

Pai-de-santo mais famoso de Bauru, Ricardo Barreira promove cultos no meio da natureza em área verde para aproximar a religião ainda mais da sustentabilidade.
 
Umbandista desde os 17 anos, Ricardo Barreira mostra a árvore símbolo do axé localizada no campo dos baianos, um dos espaços dedicados aos cultos às entidades. No templo, um dos objetivos é a preservação da natureza.

O ditado é bem antigo, é verdade, mas faz mais sentido do que nunca:  “Nós colhemos o que plantamos”.

É a ele que o pai-de-santo Ricardo Barreira recorre para  apresentar um dos espaços da Aldeia Tupiniquim, o campo dos baianos, preparado para o plantio agrícola. 

O local é destinado à gira (culto) dos baianos, entidade da umbanda caracterizada pela bravura aliada à irreverência nordestina. Ali está a bela figueira branca, árvore símbolo da força, do axé. Ali fica a pequena roça que justifica o ditado escolhido.

“Aqui vamos plantar, colher e comer”, avisa Ricardo.

Babalorixá da Aldeia Tupiniquim, uma associação religiosa, beneficente e cultural, Ricardo realiza um sonho antigo ao usar parte da área de 22 mil metros quadrados, numa chácara localizada à beira da estrada que liga Piratininga à Rodovia Bauru-Marília, para os cultos e festas da umbanda.

“É nosso santuário, nosso paraíso”, define. “Para nós, o templo religioso é a natureza.”

E é um resgate. A umbanda é uma religião ecológica, que reverencia as energias da natureza. Na vida urbana, no entanto, o mais comum são os templos localizados dentro das cidades. 

Em Bauru, a Aldeia Tupiniquim, instalada no Vale dos Orixás desde setembro de 2010, faz o caminho contrário.

O Vale dos Orixás existe há dez anos, mas até agora era pouco aproveitado. A área pertence à Federação Estadual de Umbanda e Candomblé, presidida por Ricardo. É aberta a todos os templos. 

O local abriga sete campos sagrados, destinados às giras das entidades. O projeto prevê a implantação de vários campos, com a determinação de que modifiquem o menos possível a natureza. 

“Com o tempo, criaremos um processo de sustentabilidade”, informa o líder.

Capa do Jornal Bom dia dando destaque para a Umbanda
Um exemplo: as oferendas às entidades não devem ser deixadas para sempre na natureza. O material orgânico pode ser aproveitado como adubo e produtos, como garrafas, precisam ser retirados.  “É para deixar a natureza limpa.”

 
Natureza, religião e filosofia. É isso que o pai de santo une no enorme espaço cheio de árvores e cantos de pássaros. 

“É o encontro do homem com ele mesmo, já que ele também é natureza”, defende. “E a religião tem que tornar a pessoa melhor, promover a transformação. Não adianta só ficar bonitinho com a roupa branca.”


Combater o preconceito virou missão

Há uma explicação simples para Ricardo Barreira ser o pai-de-santo que mais aparece em Bauru: ele toma como sua a missão de divulgar a umbanda e de atuar no combate aos preconceitos que ainda atingem a prática religiosa. 
Isso começou quando ele tinha 17 anos e precisou enfrentar a resistência familiar diante de sua opção. Na época, ficou espantado com a forma distorcida como a umbanda era vista.
“Eu me perguntava: como podem pensar isso de uma religião tão linda e tão comprometida com o bem e a caridade?”
Hoje, acredita que a discriminação diminuiu, apesar de ainda existir e justificar o comportamento discreto, quase recluso, de muitos pais-de-santo.
O BOM DIA, por exemplo, tentou ouvir um dos mais antigos pais-de-santo da cidade, mas ele preferiu não dar entrevistas, apesar de abrir seu templo para  visitas.   
“Do mal a umbanda não tem nada”, costuma defender Ricardo. “O foco é ajudar a humanidade a evoluir.” 


Opinião do Blog:
Gostei da reportagem e ao meu ver estão certos em preservar aquilo que nosso Pai Oxalá nos deu de presente com tanto carinho. E precisamos também pensar que aqueles que não sabem o que são oferendas, para que e para quem são, acabam vendo com maus olhos, e acho que é o que menos precisamos, mais pessoas julgando antes de conhecer nossa doutrina e nossos rituais. Nossa crença. Sendo assim, acho que as oferendas e entregas deviam ser feitas com mais cuidado e um carinho especial, não esquecendo que o lugar onde deixamos as entregas, é o mesmo onde pessoas convivem e animais moram por lá. Tem que haver o respeito da nossa parte para com todos aqueles que não pertencem ao nosso mundo de axé, nosso mundo de paz. Portanto entendo ter que haver respeito de todos os lados, e não acho que os nossos guias espirituais ou os orixás vão recusar nossas oferendas se feitas com um cuidado maior, respeitando a natureza. Pelo contrário, acho que entenderão com toda a sabedoria que sabemos que eles possuem. Pois falhos somos nós, que achamos que precisamos de muito para a nossa fé. A nossa fé precisa de pouco, muitas vezes quase nada, eles sentem de longe a nossa fé, nosso fervor em clamar por ajuda ou em agradecimento a eles.
Então pessoal, vamos  tentar preservar aquilo que é tão precioso para nós Umbandistas: A Natureza. Prestaremos mais atenção aos materiais que será usado nas oferendas, pratos ou entregas. Não vamos acender velas perto de mato, para que não haja o risco de algum acidente. E se possível, vamos sempre depois dos dias necessários para o ritual que tenha sido feito, recolher ou até colocar em algum lugar que possa ser levado da forma correta por aqueles que limpam a nossa cidade, a nossa bagunça, nossos lixos todos os dias, e devemos ser gratos por isso.
Vamos preservar?

Umbanda pode e deve ser ecológica.



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